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Junho 4, 2017

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Palavra de Vida – Junho 2017

Junho 1, 2017

Junho de 2017

 

“Como o Pai me enviou também eu vos envio.” (Jo 20,21)

Nos dias que se seguiram à crucifixão de Jesus, os seus discípulos fecharam-se em casa, assustados e desorientados. Eles o tinham seguido pelas estradas da Palestina, enquanto anunciava a todos que Deus é Pai e ama com ternura a cada pessoa!

Jesus tinha sido mandado pelo Pai não só para testemunhar com a vida essa grande novidade, mas também a fim de abrir à humanidade o caminho para encontrar Deus; um Deus que é Trindade, comunidade de amor em si mesmo e quer acolher nesse abraço as suas criaturas.

Durante a sua missão, muitos viram, ouviram e experimentaram a bondade e os efeitos dos seus gestos e das suas palavras de acolhimento, perdão, esperança… De repente, Ele é condenado e crucificado.

É nesse contexto que o Evangelho de João nos conta como Jesus ressuscita no terceiro dia, aparece aos seus e os envia para prosseguir a sua missão:

“Como o Pai me enviou também eu vos envio.”

É como se Ele lhes dissesse: “Lembram-se de como partilhei com vocês a minha vida? Como eu saciei a sua fome e sede de justiça e de paz? Como eu curei os corações e os corpos de muitos marginalizados e rejeitados da sociedade? Como eu defendi a dignidade dos pobres, das viúvas, dos estrangeiros? Agora, continuem vocês: anunciem a todos o Evangelho que receberam, anunciem que Deus quer que todos o encontrem e que todos vocês são irmãos e irmãs”.

Toda e qualquer pessoa, tendo sido criada à imagem de Deus Amor, já tem no coração o desejo do encontro com Ele; todas as culturas e todas sociedades tendem a construir relações de convivência. Mas quanto esforço, quantas contradições, quantas dificuldades para atingir essa meta! Essa profunda aspiração se embate todo dia com as nossas fragilidades, com nossos fechamentos e medos, as desconfianças e os julgamentos que fazemos uns dos outros.

Mesmo assim, o Senhor, confiante, continua dirigindo-nos hoje o mesmo convite:

“Como o Pai me enviou também eu vos envio.”

Como podemos viver durante este mês um convite tão ousado? Será que a missão de promover a fraternidade numa humanidade frequentemente dilacerada não é uma batalha já perdida, ainda antes de começar?

Por nós mesmos jamais conseguiríamos isso. E foi por isso que Jesus nos deu um dom especialíssimo, o Espírito Santo, que nos sustenta no empenho de amar cada pessoa, mesmo que se trate de um inimigo.

O Espírito Santo – recebido no Batismo […] – sendo espírito de amor e de unidade, fazia de todos os fiéis uma só coisa com o Ressuscitado e entre si, superando todas as diferenças de raça, de cultura e de classe social […]. É por causa do nosso egoísmo que se constroem as barreiras com as quais nos isolamos e excluímos quem é diferente de nós. […] Procuraremos, portanto – escutando a voz do Espírito Santo –, crescer nessa comunhão […], superando os germes de divisão que trazemos dentro de nós.1

Com a ajuda do Espírito Santo, vamos lembrar e viver também nós, neste mês, as palavras do amor em cada pequena ou grande ocasião de relacionamento com os outros: acolher, escutar, sentir sua dor, dialogar, encorajar, incluir, dedicar atenção, perdoar, valorizar…: assim viveremos o convite de Jesus a continuar a sua missão e seremos canais daquela vida que Ele nos doou.

Como conta Chiara Lubich, foi isso que experimentou um grupo de monges budistas durante uma visita à Mariápolis permanente internacional de Loppiano, na Itália, onde os seus 800 habitantes procuram viver com fidelidade o Evangelho. Os budistas ficaram profundamente tocados pelo amor que nasce do Evangelho, que eles não conheciam. Um deles conta: “Eu colocava meus sapatos sujos fora da porta; de manhã eu os encontrava limpos. Colocava minha túnica suja fora da porta; no outro dia eu a encontrava lavada e passada. Eles sabiam que eu sentia frio, porque venho do Sudeste asiático; então aumentavam a temperatura do aquecedor e me davam cobertores… Um dia perguntei: ‘Por que vocês fazem isso?’ ‘Porque estimamos, queremos bem a vocês’, foi a resposta”. Esta experiência abriu o caminho para um verdadeiro diálogo entre budistas e cristãos.

 

Letizia Magri


1 Cf. Chiara Lubich, Palavra de vida – Unidade e partilha, revista Cidade Nova, janeiro de 1994.

Palavra de Vida – Maio 2017

Maio 1, 2017

Maio de 2017

“Eis que estou convosco todos os dias, até o fim dos tempos.” (Mt 28,20)

No final do seu Evangelho, Mateus conta os últimos acontecimentos da vida terrena de Jesus. Ele ressuscitou e cumpriu a sua missão: anunciar o amor regenerador de Deus em favor de cada criatura e abrir de novo o caminho rumo à fraternidade na história dos homens. Para Mateus, Jesus é “o Deus conosco”, o Emanuel prometido pelos profetas, esperado pelo povo de Israel.

Antes de voltar ao Pai, Ele reúne os discípulos, aqueles com os quais tinha compartilhado mais de perto a sua missão, e lhes confia a tarefa de prolongar a sua obra no tempo.

Uma tarefa árdua! Mas Jesus lhes assegura que não os deixará sozinhos. Pelo contrário: promete que estará com eles todos os dias para sustentá-los, acompanhá-los, encorajá-los “até o fim dos tempos”.

Com a sua ajuda, eles serão testemunhas do encontro com Ele, da sua palavra e dos seus gestos de acolhida e misericórdia para com todos, de modo que muitos outros possam encontrá- lo e formar juntos o novo povo de Deus alicerçado no mandamento do amor.

Poderíamos dizer que a alegria de Deus consiste justamente neste estar comigo, com você, com todos nós a cada dia, até o fim da nossa história pessoal e da história da humanidade.

Mas será que é isso mesmo? É realmente possível encontrá-lo?

Ele “está do meu lado, está junto de mim, de você. Esconde-se no pobre, no desprezado, no pequeno, no doente, em quem necessita de um conselho ou em quem foi tolhido de sua liberdade. Está naquele que é menos bonito, no que foi marginalizado… Ele mesmo o disse: ‘Tive fome e me deste de comer…’1. (…) Procuremos descobri-lo lá onde Ele está”.2

Ele está presente na sua Palavra que, quando colocada em prática, renova a nossa existência. Está em todos os pontos da terra na Eucaristia e atua também por meio de seus ministros, servidores de seu povo. Está presente quando geramos concórdia ao nosso redor3; então a nossa oração ao Pai é mais eficaz e encontramos a luz para as decisões de cada dia.

“Eis que estou convosco todos os dias, até o fim dos tempos”: quanta esperança nos dá essa promessa, que nos encoraja a procurá-lo no nosso caminho. Procuremos abrir o coração e as mãos ao acolhimento e à partilha, pessoalmente e como comunidade: nas famílias e nas igrejas, nos postos de trabalho e nos momentos de festa, nas associações civis e religiosas. Encontraremos Jesus e Ele nos deixará surpresos e encantados com a alegria e a luz, sinais da sua presença.

Se toda manhã nos levantarmos pensando: “Hoje quero descobrir onde é que Deus quer me encontrar!”, também nós poderemos fazer uma experiência reconfortante como esta:

“A mãe do meu marido é muito apegada ao seu filho, a ponto de ser ciumenta. Um ano atrás ela teve diagnosticado um tumor. Precisa de tratamento e assistência, que a sua única filha não consegue dar. Naquele período participei da Mariápolis4 e o encontro com Deus Amor mudou a minha vida. A primeira consequência dessa conversão foi a decisão de acolher minha sogra em casa, indo além de todo receio. A luz que se acendeu no meu coração fez com que a enxergasse com olhos novos. Convenci-me de que nela era Jesus de quem eu tratava e a quem dava assistência.

Para minha surpresa, ela retribuía cada gesto meu com igual amor.

Decorreram meses de sacrifícios e, quando minha sogra partiu serenamente para o céu, deixou a paz em todos.

Naqueles dias me apercebi de que eu estava esperando um filho, coisa que eu almejava havia nove anos. Esse filho é, para nós, o sinal concreto do amor de Deus”.

Colaboração de Letizia Magri

1 Cf. Mt 25,35.
2 Cf. Chiara Lubich, Palavra de Vida, revista Cidade Nova, junho de 1982.
3 Cf. Mt 18,20.
4 Encontro característico do Movimento dos Focolares.

Palavra de Vida – Abril 2017

Abril 1, 2017

Abril de 2017

“Fica conosco, pois já é tarde.” (Lc 24,29)

Foi esse o convite dirigido ao desconhecido que os dois companheiros de viagem encontraram no caminho que ia de Jerusalém à localidade de Emaús. Eles “falavam e discutiam” entre eles sobre o que tinha acontecido dias antes na cidade.

O homem dava a impressão de ser a única pessoa que não sabia de nada. Por isso os dois, aceitando a sua companhia, lhe falaram desse “profeta poderoso em palavras e em obras diante de Deus e dos homens”, em quem eles tinham confiado totalmente. Ele tinha sido entregue aos romanos pelos chefes dos seus sacerdotes e pelas autoridades judaicas, sendo depois condenado à morte e crucificado1. Uma tragédia terrível, cujo sentido eles não eram capazes de entender.

Ao longo do caminho o desconhecido ajudou os dois a compreender o significado daqueles acontecimentos, baseando-se na Escritura. E assim reacendeu no coração deles a esperança. Chegando a Emaús, pediram que ele ficasse para jantar: “Fica conosco, pois já é tarde”. Enquanto ceavam juntos, o desconhecido abençoou o pão e o repartiu com eles. Esse gesto fez com que eles o reconhecessem: o Crucificado, que estava morto, agora estava ali, ressuscitado! Imediatamente os dois mudaram de programa: voltaram a Jerusalém e procuraram os outros discípulos para dar-lhes a grande notícia.

Também nós podemos estar desiludidos, indignados, desencorajados diante de uma trágica sensação de impotência diante das injustiças que atingem pessoas inocentes e indefesas. Também na nossa vida não faltam a dor, a incerteza, a escuridão… E como gostaríamos de transformá-las em paz, esperança, luz, para nós e para os outros.

Queremos encontrar Alguém que nos compreenda profundamente e ilumine o caminho da vida?

Jesus, o Homem-Deus, aceitou livremente experimentar, como nós, a escuridão da dor, para ter a certeza de atingir no mais profundo a situação de cada um de nós. Aceitou a dor física, mas também a dor interior: desde a traição por parte dos seus amigos até a sensação de ser abandonado2 por aquele Deus que Ele sempre tinha chamado de Pai. Por causa da sua confiança inabalável no amor de Deus, superou aquela imensa dor, confiando-se novamente a Ele3. E Dele recebeu nova vida.

Ele conduziu também a nós, homens, por esse mesmo caminho e quer acompanhar-nos: “(…) Ele está presente em tudo aquilo que tem sabor de dor (…). Procuremos reconhecer Jesus em todas as angústias, as aflições da vida, em todas as escuridões, as tragédias pessoais e dos outros, os sofrimentos da humanidade que nos rodeia. São Ele, porque Ele os tornou seus (…). Bastará fazer algo de concreto para aliviar os ‘seus’ sofrimentos nos pobres (…), para encontrar uma nova plenitude de vida”.4

Uma menina de sete anos conta: “Sofri muito quando meu pai foi preso. Amei Jesus nele. Assim consegui não chorar diante dele quando fomos visitá-lo”.

E uma jovem esposa: “Acompanhei meu marido Roberto nos últimos meses de sua vida, depois de um diagnóstico sem esperança. Não me afastei dele nem por um instante. Eu via Roberto e via Jesus… Roberto estava na cruz, realmente na cruz.” O amor mútuo entre eles tornou-se luz para os seus amigos e eles se envolveram numa competição de solidariedade que nunca mais se interrompeu; pelo contrário, se estendeu a muitos outros, dando origem a uma associação de promoção social chamada “Abraço Planetário”. “A experiência vivida com Roberto”, diz um amigo dele, “nos arrastou com ele numa verdadeira caminhada rumo a Deus.

Muitas vezes nos perguntamos qual o significado do sofrimento, da doença, da morte. Creio que todos os que tiveram a sorte de fazer esse percurso ao lado de Roberto tenham agora a compreensão bem clara de qual seja a resposta”.

Neste mês todos os cristãos celebram o mistério da morte e ressurreição de Jesus. É uma ocasião para reacender a nossa fé no amor de Deus que nos permite transformar a dor em amor; cada desapego, separação, fracasso e a própria morte podem tornar-se para nós fonte de luz e de paz. Na certeza de que Deus está perto de cada um de nós em qualquer situação, queremos repetir confiantes o pedido dos discípulos de Emaús: “Fica conosco, pois já é tarde”.

Colaboração de Letizia Magri

1 Cf. Lc 24,19ss.
2 Cf. Mt 27,46; Mc 15,34.
3 Cf. Lc 23,46.
4 Cf. Chiara Lubich, Palavra de Vida, revista Cidade Nova, abril de 1999.


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