Curso sobre método Billings
Maio 14, 2012Manhã de Espiritualidade
Abril 10, 2012Palavra de Vida – Abril 2012
Abril 1, 2012Abril de 2012
“Vós já estais limpos por causa da palavra que vos falei.” (Jo 15,3)
Certamente o coração dos discípulos, ouvindo essa tão decidida palavra de encorajamento de Jesus, deve ter tido um sobressalto de alegria.
Como seria maravilhoso se Jesus pudesse dirigi-la também a nós!
Para sermos mais dignos disso, vamos tentar compreendê-la.
Jesus acabou de fazer a conhecida comparação da videira e dos ramos. Ele é a verdadeira videira, o Pai, o agricultor, que corta os ramos infrutíferos e poda todo ramo que dá fruto, a fim de que frutifique ainda mais.
Após essa explicação, ele afirma:
“Vós já estais limpos por causa da palavra que vos falei.”
“Já estais limpos…”. Mas de que pureza Jesus está falando?
Trata-se daquela atitude de espírito necessária para estar diante de Deus, da ausência daqueles obstáculos (como o pecado, por exemplo) que se opõem ao contato com o sagrado, ao encontro com o divino.
Para termos essa pureza é necessária uma ajuda do Alto.
Já no Antigo Testamento o homem havia tomado consciência da sua incapacidade de aproximar-se de Deus contando unicamente com as próprias forças. Era preciso que Deus purificasse o seu coração, lhe desse um coração novo.
Há um belíssimo Salmo que diz:
“… criai em mim, ó Deus, um coração puro” (Sl 51,12).
“Vós já estais limpos por causa da palavra que vos falei.”
Pelo que diz Jesus, existe um meio para sermos puros: é a sua Palavra. Aquela Palavra que os discípulos ouviram e acolheram foi que os purificou.
Com efeito, a Palavra de Jesus não é como as palavras humanas. Nela está presente o Cristo assim como ele está presente, de outra maneira, na Eucaristia. Através dela Cristo entra em nós. Aceitando-a, praticando-a, fazemos com que Cristo nasça e cresça em nosso coração.
Paulo VI dizia: “De que modo Jesus se torna presente nas almas? Através da comunicação da Palavra passa o pensamento divino, passa o Verbo, o Filho de Deus feito homem.
Poderíamos afirmar que o Senhor se encarna em nosso íntimo quando nós aceitamos que a Palavra venha viver dentro de nós”.
“Vós já estais limpos por causa da palavra que vos falei.”
A Palavra de Jesus é comparada também a uma semente lançada no íntimo de quem crê. Uma vez acolhida, ela penetra no homem e, como uma semente, desenvolve-se, cresce, dá frutos, “cristifica”, tornando-nos semelhantes a Cristo.
Interiorizada assim pelo Espírito Santo, ela tem realmente a capacidade e a força de conservar o cristão longe do mal: enquanto ele deixar agir em si a Palavra, ficará livre do pecado e, portanto, puro. Só cairá no pecado se deixar de obedecer à verdade.
“Vós já estais limpos por causa da palavra que vos falei.”
Como devemos viver, então, para também merecermos o elogio de Jesus?
Colocando em prática cada Palavra de Deus, nutrindo-nos dela momento por momento, fazendo da nossa existência uma obra de contínua reevangelização. Isso para chegarmos a ter os mesmos pensamentos e sentimentos de Jesus, para revivê-lo no mundo, para mostrar a uma sociedade – muitas vezes emaranhada no mal e no pecado – a divina pureza, a transparência que o Evangelho proporciona.
Durante este mês, além disso, quando for possível (ou seja, se também outras pessoas compartilharem nossas intenções), procuremos colocar em prática de maneira especial aquela Palavra que exprime o mandamento do amor recíproco: “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei”. Para o evangelista João, que nos traz a frase de Jesus que hoje estamos considerando, existe realmente uma ligação entre a Palavra de Cristo e o mandamento novo.
Esse apóstolo diz que é no amor recíproco que se vive a Palavra com seus efeitos de purificação, de santidade, de impecabilidade, de fruto, de proximidade com Deus. O indivíduo isolado é incapaz de resistir por muito tempo às solicitações do mundo, enquanto que ele encontra no amor mútuo o ambiente sadio capaz de proteger a sua existência cristã autêntica.
Chiara Lubich
1) Insegnamenti di Paolo VI, V, Cidade do Vaticano, 1967, p. 936
Esta Palavra de Vida foi publicada originalmente em maio de 1982
A Invenção de Hugo Cabret
Março 30, 2012
Por: Mariana Bomfim
Título Original: Hugo
Direção: Martin Scorcese
Produção: EUA/2011
Com: Ben Kingsley, Asa Butterfild, Jude Law
As engrenagens de um imenso relógio, numa visualização 3D impecável, se transformam diante dos nossos olhos na bela Paris dos anos 1930. Um espetáculo técnico de fotografia e direção de arte dignos de Oscar. Mas “A Invenção de Hugo Cabret”, adaptação da obra de Brian Selznick, tem mais do que técnica a oferecer.
Após a morte de seu pai (Jude Law), o órfão Hugo Cabret (Asa Butterfield) vai morar na estação de trem de Paris com um tio alcoólatra que coloca o menino para trabalhar em seu lugar na manutenção dos diversos relógios da estação e desaparece. Se descoberto, Hugo será enviado a um orfanato, por isso trabalha incessantemente para que todos os relógios funcionem. O menino faz também pequenos furtos para sobreviver e busca peças que possam consertar uma espécie de robô em que seu pai estava trabalhando pouco antes de morrer. O menino acredita que ele possua uma mensagem de seu pai. Em busca das peças faltantes, Hugo é pego furtando num pequeno comércio da estação. Para não ser entregue ao inspetor ferroviário (Sacha Baron Cohen), ele é forçado a dar ao amargo dono da loja sua caderneta, onde há desenhos e instruções de seu pai para a montagem do robô. Ao ver as imagens, o homem fica transtornado, diz que queimará o caderno e manda o menino embora. Hugo, no entanto, segue o comerciante até sua casa, onde conhece a esperta menina Isabelle (Chloe Moretz). A relação entre a caderneta e o comerciante é a charada a ser descoberta pelas duas crianças, numa aventura que permite a Martin Scorcese nos dar uma profunda e emblemática aula sobre cinema.
O comerciante é, na verdade, o pioneiro cineasta Georges Méliès (Ben Kingsley). Em franca homenagem, sua história é então relembrada e, com ela, também a história do cinema. O diretor nos mostra que, no início, a sétima arte retratava apenas imagens cotidianas, como vemos em “A chegada do trem na estação” (1896), espetáculo dos irmãos Lumière com a invenção do cinematógrafo. Méliès, mágico e ilusionista, apaixona-se pela invenção e a utiliza para “construção de sonhos”, como em sua primeira ficção científica, “Viagem à Lua” (1902). Scorcese traz à telona trechos dessas e de outras películas dos primórdios do cinema, retomando sua defesa da preservação e restauração dos filmes antigos. Trata-se, portanto, de uma obra que cativa o público infantil pela trama vivida por Hugo Cabret e que arrebata o público adulto com cenas memoráveis da história do cinema.
“A invenção de Hugo Cabret” traz ainda a certeza de que cada um de nós tem no mundo um propósito e um lugar.
Qual a sua opinião sobre esse assunto?
Dê sua opinião, escreva para cartas@cidadenova.org.br
Fonte: Revista Cidade Nova – outubro de 2010
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